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Introdução à definição de uma igreja que envia

Bradley Bell

Este recurso introduz uma definição bíblica e prática do que significa ser uma igreja que envia, desenvolvida pelo Upstream Collective, para ajudar as igrejas a enviarem bem. Baseando-se no exemplo da igreja de Antioquia, o texto explica os componentes-chave da definição e convida os líderes a refletirem sobre as práticas atuais de sua igreja. Use-o como ponto de partida para uma conversa com sua equipe e como o início de um compromisso mais profundo: Para os próximos passos, você pode usar nosso livro em espanhol, Definición de la iglesia que envía.  



O Upstream Collective nasceu de uma convicção simples, porém urgente: a igreja local deve recuperar seu papel central na missão global de Deus. Desde o nosso início, temos buscado capacitar as igrejas não apenas para que se preocupem com as missões, mas para que enviem bem; para que se envolvam profundamente na formação, no envio, no sustento e no receber de volta sua própria gente por amor ao evangelho.  


Ao começar a capacitar as igrejas, algo se tornou evidente rapidamente: precisávamos de uma linguagem comum. O termo “igreja que envia” já circulava, mas seu significado variava muito. Para alguns, simplesmente significava enviar dinheiro. Para outros, referia-se a equipes de missões de curto prazo. Mas nós imaginávamos algo mais profundo, mais integral e com raízes mais bíblicas. Isso nos levou a uma pergunta fundamental: O que é exatamente uma igreja que envia?  


Para responder a isso, recorremos às Escrituras. Embora muitas passagens ofereçam uma visão da missão da igreja, uma se destacou como um exemplo vívido: a igreja de Antioquia. Lemos em Atos 13:1-3: [1]  


Na igreja que estava em Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Enquanto serviam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: "Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado". Então, depois de jejuarem e orarem, impuseram-lhes as mãos e os enviaram.  


Nestes poucos versículos, encontramos uma expressão poderosa do Deus que envia e de Seu povo enviado. Antioquia não era uma igreja passiva que esperava que a missão acontecesse. Eles buscavam ativamente o Senhor em adoração e jejum. Eram sensíveis à voz do Espírito. E quando Deus chamou, eles responderam, não se apegando aos seus líderes mais talentosos, mas enviando-os.  


Isto não era um projeto secundário para Antioquia. Era central para sua vida em comunidade.  


Não apenas enviaram. Enviaram seus melhores obreiros.  


Este ato marcou o início da primeira viagem missionária de Paulo, que transformaria o cenário espiritual do mundo gentio. E a igreja de Antioquia não apenas os enviou e os esqueceu. Eles se mantiveram conectados. Após a viagem, Paulo e Barnabé retornaram à sua igreja que os havia enviado:  


Quando chegaram e reuniram a igreja, relataram todas as coisas que Deus fizera por meio deles e como abrira aos gentios a porta da fé. E permaneceram muito tempo com os discípulos (Atos 14:27-28).  


Antioquia não apenas comissionou missionários; ela os recebeu de volta em casa. Eles os ouviram. Celebraram com eles. Renovaram-nos. E, como vemos em capítulos posteriores de Atos, prepararam-se para enviá-los novamente.  


Este é o pulsar do coração de uma igreja em missão.  


Enviar não é apenas algo que a igreja de Antioquia fez. Foi uma expressão de quem eles eram. E o mesmo pode ser verdade hoje. Enviar não é um elemento adicionado à identidade da igreja, mas está integrado ao DNA de cada igreja que busca seguir a Jesus fielmente. Afinal, a própria igreja existe porque Deus enviou Seu Filho. Somos salvos porque alguém nos trouxe o evangelho. Agora nós somos mordomos dessa mesma mensagem, comissionados a levá-la a outros.  


Antioquia não é apenas uma história inspiradora do passado; é um modelo para as igrejas de hoje.  


Definindo a igreja que envia


Com o exemplo da igreja de Antioquia em mente, começamos a nos perguntar: Como seria se as igrejas de hoje encarnassem essa mesma identidade? O que significa — não apenas em teoria, mas na prática — uma igreja enviar bem sua própria gente?  


Não queríamos criar uma teoria abstrata. Queríamos uma definição forjada no mundo real, moldada pelas Escrituras e refinada através das experiências vividas de igrejas fiéis. Assim, reunimos um coletivo de líderes de igrejas que enviam, através de conversas individuais, fóruns em grupo e redes de colaboração, para ouvir e aprender. O que surgiu foi uma convicção compartilhada: enviar de maneira saudável é algo tanto teológico quanto relacional, tanto intencional quanto comunitário.  


Após meses de oração, diálogo e refinamento, uma definição começou a tomar forma, uma definição que agora serve como a pedra angular de tudo o que fazemos no Upstream Collective:  


Uma igreja que envia é uma comunidade local de seguidores de Cristo que fizeram uma aliança de serem intencionais na oração, deliberados e proativos ao formar, comissionar e enviar seus próprios membros, tanto local quanto globalmente, muitas vezes em parceria com outras igrejas ou agências, e continuar a encorajá-los, apoiá-los e advogar por eles enquanto fazem discípulos transculturalmente e em seu retorno.  


Sim, é longa. Sim, é uma ideia extensa. Mas é assim porque enviar não é simples nem linear; é dinâmico, multifacetado e profundamente integrado na vida de uma igreja. Cada palavra desta definição foi escolhida com um propósito.  


Antes de explorar cada parte, reserve um momento para lê-la novamente. Reflita sobre ela com calma. Porque esta definição não é apenas uma descrição do que algumas igrejas fazem; é uma visão do que toda igreja pode vir a ser. Pergunte-se: Isso ressoa com o coração de sua igreja pela missão? Fornece uma linguagem para algo que você sente há muito tempo, mas não conseguia articular totalmente?  


Observações-chave da definição


Nossa definição de uma igreja que envia pode ser densa, mas a razão é que enviar bem é algo rico e cheio de nuances. Não se trata apenas de despedir as pessoas com um aperto de mão e uma verba orçamentária; trata-se de encarnar uma postura profundamente bíblica de relacionamento, sacrifício e reciprocidade. Vamos destacar algumas observações-chave que dão vida a esta definição:  


“Uma comunidade local de seguidores de Cristo…” 


Isso começa com a identidade. Uma igreja que envia não é um programa, um comitê ou um evento especial; é o povo de Deus reunido. As igrejas locais não são periféricas na missão global de Deus. Elas são centrais. Enviar é algo que toda a igreja assume em conjunto, não apenas o pastor de missões ou alguns poucos apaixonados.  


“que fizeram uma aliança…” 


Esta frase enfatiza o compromisso. Enviar não é algo que uma igreja faz ocasionalmente ou por acidente; é algo com o qual se compromete como parte de sua identidade. Flui de uma convicção compartilhada, da responsabilidade mútua e da unidade em um propósito. Igrejas que enviam de maneira saudável não apenas permitem que as missões aconteçam; elas se comprometem a fazer parte delas.  


“de serem intencionais na oração, deliberados e proativos” 


Enviar bem exige intencionalidade. As igrejas não se tornam enviadoras saudáveis por inércia. Isso requer discernimento em oração, planejamento a longo prazo e uma liderança proativa. Estas palavras rejeitam a passividade e chamam a igreja a tomar ações bem refletidas.  


“ao formar, comissionar e enviar…” 


Estes verbos descrevem um processo. Enviar não começa quando alguém está pronto para entrar em um avião. Começa muito antes: com o discipulado, o treinamento, a mentoria e a afirmação. O ato de comissionar celebra publicamente o que Deus fez; enviar dá a eles o impulso para a próxima etapa de seu ministério. Estes passos requerem tempo, clareza e cuidado pastoral.  


“seus próprios membros…” 


Isto é pessoal. A igreja que envia não está terceirizando o trabalho missionário com estranhos; ela está enviando os seus. A implicação é uma conexão relacional profunda, uma responsabilidade espiritual e uma participação a longo prazo. Estas são pessoas que você batizou, discipulou e com quem caminhou. E quando elas se vão, sua igreja vai com elas.  


“tanto local quanto globalmente…” 


A missão não está apenas a uma passagem de avião de distância. Uma igreja que envia tem seus olhos voltados para o seu bairro e para as nações. Ela se envolve na formação de discípulos interculturais onde quer que Deus lhe dê a oportunidade. O chamado global não substitui o ministério local, ele o expande.  


“muitas vezes em parceria com outras igrejas ou agências…” 


Isso nos lembra que não estamos sozinhos. Igrejas que enviam de maneira saudável reconhecem que a colaboração muitas vezes fortalece a sustentabilidade. Parcerias com agências missionárias ou outras igrejas podem fornecer experiência e infraestrutura, mas a igreja que envia continua centralmente envolvida.  


“e continuar a encorajá-los, apoiá-los e advogar por eles…” 


O envio não termina quando eles partem. É algo contínuo. Significa escrever cartas, orar fervorosamente, fornecer apoio financeiro, visitar no campo, oferecer aconselhamento e ser a voz constante de amor e presença em lugares difíceis. Também significa advogar por eles, ajudando outros a conhecê-los, amá-los e apoiá-los também.  


“enquanto fazem discípulos transculturalmente…” 


Este é o fruto e o objetivo. A meta não é apenas enviar, mas ver vidas transformadas à medida que o evangelho é proclamado em outras culturas. A igreja que envia está alinhada com a comissão de Jesus de fazer discípulos de todas as nações, não simplesmente enviar pessoas para algum lugar.  


“e em seu retorno.” 


O retorno é uma das partes mais negligenciadas do processo de envio. Missionários que retornam muitas vezes lutam para se reconectar, encontrar um propósito ou processar o que vivenciaram. Uma verdadeira igreja que envia é também uma igreja que recebe, pronta para acolher, ouvir, restaurar e reintegrar de maneiras significativas os obreiros que retornam. 

 

Esta não é uma visão pequena. É um chamado elevado. Mas é um pelo qual vale a pena lutar, e um no qual as igrejas podem crescer com o tempo, com o equipamento e os relacionamentos adequados.  


Refletindo sobre a identidade de sua igreja que envia


Cada igreja tem uma história sobre o envio, seja ela iniciante, experiente ou em busca de uma visão renovada. Agora que você viu um exemplo bíblico em Antioquia e explorou nossa definição de uma igreja que envia, reserve um momento para refletir. Não se trata de comparação ou culpa. Trata-se de clareza, coragem e obediência ao chamado do Senhor.  


Aqui estão algumas perguntas para ajudar a discernir onde sua igreja se encontra e para onde Deus pode estar lhe direcionando:  


  • Esta definição corresponde ao que sua igreja é ou ao que você deseja que ela se torne? Quais aspectos tocam seu coração? O que lhe parece desconhecido ou fora de alcance?  

  • Quais aspectos da definição refletem as forças atuais de sua igreja? Existem áreas onde sua igreja já está formando, enviando ou sustentando obreiros adequadamente?  

  • Quais partes revelam lacunas ou áreas de crescimento? Vocês são intencionais na preparação das pessoas antes de partirem? Ainda estão conectados com aqueles que enviaram? O que acontece quando as pessoas retornam?  

  • Vocês têm uma equipe ou uma estrutura estabelecida para buscar esta visão intencionalmente? Ou o envio tem sido a paixão de apenas algumas pessoas?  

  • Este é um caminho que sua igreja pode percorrer sozinha? Que tipo de apoio, recursos ou relacionamentos ajudariam sua igreja a dar o próximo passo para se tornar uma igreja que envia de forma saudável?  


Unindo-se ao movimento da igreja que envia


A história de Antioquia nos lembra que enviar não é apenas uma atividade da igreja; é a identidade da igreja. É o que acontece quando o povo de Deus, enraizado na adoração e ouvindo o Espírito, impulsiona os seus para os propósitos globais de Deus. Esse mesmo chamado está vigente hoje. E sua igreja tem um papel único a desempenhar.  


Seja começando a explorar o que significa enviar bem ou fazendo isso há anos e pronto para aprofundar-se, o caminho à frente é ao mesmo tempo desafiador e belo. Você não precisa fazer isso sozinho.  


O Upstream Collective existe para caminhar ao lado de igrejas como a sua. Oferecemos recursos que são tanto teológicos quanto práticos, nascidos da experiência real, moldados pelas Escrituras e projetados para equipar seus líderes. Mas, mais do que recursos, oferecemos relacionamento: uma comunidade de igrejas e líderes que estão aprendendo juntos como enviar melhor, apoiar por mais tempo e celebrar a obra global de Deus de forma mais plena.  


Se você está pronto para passar de um simples desejo de participar da missão para enviar de maneira intencional, adoraríamos ajudar.  



Próximos Passos


Tornar-se uma igreja que envia não acontece da noite para o dia. Começa com clareza, cresce através da intencionalidade e se sustenta pela comunidade. Aqui estão três maneiras práticas de continuar esta jornada:  

  1. Compartilhe este recurso com os líderes de sua igreja ou com sua equipe de missões. Use-o para iniciar uma conversa: "É isso que somos? É isso que queremos nos tornar?". O diálogo honesto é o primeiro passo para enviar de maneira saudável.  

  2. Leia o livro Definición de la iglesia que envía, nossa obra fundamental, que explora a definição completa frase por frase, com profundidade bíblica e aplicação prática.  

  3. Torne-se um membro do Upstream e tenha acesso à nossa biblioteca completa de recursos para igrejas que enviam, incluindo guias, ferramentas de treinamento, avaliações e planilhas (theupstreamcollective.org/join - conteúdo principalmente em inglês).  

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